Imagem: Montagem com fotos dos brincantes
Açailândia
ficou ainda maior este ano. E a culpa não foi da Geografia. O mês de Junho e
Julho revelaram uma cidade muito graciosa, enfeitada para um São João expresso
de muitas formas. Juntas, Flor de Mandacaru, Caipiras da Serra, Matutos do Rei,
Arrasta-pé e suas primas Zé Comeu e Arraiá do Koroné mostraram que futuramente,
não estaremos devendo em nada para as devoradoras pernambucanas. Hoje, destaco
alguns dos protagonistas que se apresentaram notabilidade nessa Açailândia
Junina. O brilho de todos os envolvidos foi muito intenso, mas alguns pontos
ganharam os holofotes do espetáculo junino. K. Fera descreve o que houve de
melhor no ano em que a junina atravessou os limites do espetáculo.
Melhor Noivo
Não
deve ser novidade para ninguém sobre quem merecerá este prêmio na humilde
opinião deste blogueiro. O medalhista é Lauender França, cuja apresentação estonteante
já mereceu uma postagem aqui no blog. Ender, dentre os noivos das juninas,
talvez seja aquele que há mais tempo está no papel e desde sua primeira aparição,
com a tímida Flor de Mandacaru de 2010, vem fazendo um excelente trabalho por
meio de uma estratégia muito simples: deixar seu coração se levar no Arraial.
Em cada movimento e sorriso, Lauender permitia a viva energia do mês de Junho
percorrer o seu corpo e expressar a arte da sua quadrilha de forma memorável.
Será difícil esquecer seu personagem, cambaleante, aproximando-se do seu par,
logo após a Virgem Maria ter intercedido pelo noivo, numa das cenas mais lindas
do arraial da teimosia da fé. É o cartão de visitas da Flor de Mandacaru que
recebe este prêmio. Esperamos que em 2015 ele receba o mesmo personagem.
Gleivane
Campos veste esse título com a mesma honradez que usou o branco. Simpática, uma
dançarina estilosa e capaz de flutuar entre a festa e o drama, a noiva da ainda
tímida Caipiras da Serra deve ser mencionada como um dos grandes atrativos da
quadrilha que veio do Plano da Serra. Tive, infelizmente, apenas duas chances
de ver a apresentação da Caipiras da Serra, mas minha memória resguardou bem a
imagem da mulher de branco que esbanjava uma alegria transparente de estar
conduzindo um grupo junino que se mostra a cada ano mais capaz de surpreender.
Melhor Canção
Foram
inúmeras canções que embalaram os movimentos dos nossos artistas. Este ano
tivemos investimento inédito no repertório que resgatou inclusive músicas que
estavam perdidas no famoso “arco da velha”. Por isso, não destaco aqui um grupo
que tenha feito uma escolha melhor. É incoerente comparar uma trilha, a
exemplo, da Matutos do Rei que ousou pelo ineditismo com a da Arrasta-pé ou
Flor de Mandacaru que foram a fundo na busca de canções muito tradicionais, porém
com forte significação ainda na modernidade ou mesmo a trilha da Arraiá do
Koroné que trouxe músicas centradas em emocionar o público. Portanto, apenas
uma canção figurará aqui. Deus do Barro
foi, com toda certeza uma das músicas mais interessantes que a Flor de
Mandacaru resgatou e apresentou no Arraial. Pode parecer estranho até para os
membros da referida quadrilha, este humilde blogueiro não ter escolhido “Fé”, que trata-se de uma canção
belíssima que norteou todo o espetáculo, da abertura ao encerramento. Mas
acredito que o contexto em que se estabeleceu a canção Deus do Barro, com referência ao grande Mestre Vitalino, uma figura
tão importante no Nordeste, mas pouco reconhecida no Maranhão foi a chave para
que sua plateia pudesse conhecer esse extraordinário personagem. No momento em
que a canção é executada, a Flor atinge um ápice artístico inigualável, tornando
sua apresentação muito elegante. Por isso, é a eleita.
Melhor Figurino
Os
figurinos este ano mereceram largos elogios. Houve um esforço conjunto entre
todos os envolvidos na arte junina. Dos croquis às agulhas e tecidos, tivemos
vestimentas grandiosas que incendiaram os arraias da Açailândia Junina com
todas os tons. E haja exploração nessa paleta de cores! Do fúnebre preto ao
estonteante amarelo, os grupos abusaram da criatividade. Nessa matéria, destaque
especial a Matutos do Rei, que neste ano apresentou um figurino degradê
reproduzindo com inteligência e beleza a ambiguidade das águas do mar. Como se
não fosse suficiente, as coreografias exploravam as cores num legítimo
movimento das ondas. O enredo, muito linear, leve, com pinceladas de humor também aproveitou-se do efeito que tais vestimentas causaram. O figurino foi tão elogiado pelas cores azuis – inclusive lá
longe, em Pernambuco – que, como afirmei em postagem específica, houve uma inversão
interessante: os verdadeiros destaques da Matutos do Rei trajaram o azul. Essa
inesquecível cor ficará eternamente resguardada em nossa volúvel memória.
Destaque Figurino
Embora
a Matutos do Rei tenha conseguido uma estabilidade e regularidade na escolha dos
tons que ilustraram sua apoteótica apresentação, saiu das mãos dos estilistas
da Flor o mais belo vestuário da Açailândia Junina. Bruna Adriele, uma das figuras
destaques da Flor de Mandacaru, trajou um vestido belíssimo, bem situado na
fronteira entre o luto e festa. O belo vestido, bem trabalhado no duelo a
claridade do talento de Vitalino e o marrom da matéria-prima do trabalho desse
artista, somado a adereços bem pensados, teve o prazer de vestir um dos mais
belos sorrisos da queridinha de Açailândia, tornando-a estelar nos registros documentais realizados pelo fotógrafo Marcelo Cruz.
Melhor Marcador
Eis
o item que causou especial confusão na cabeça deste blogueiro. Nessa matéria,
tivemos um ano muito bom, com excelentes artistas dispostos a entregar seu
coração para a plateia. Minha vontade é dividir igualmente esse prêmio entre
todas as juninas a que tive o prazer de assistir, pois os seus carros chefes
levaram com liderança e emoção, ritmo e fé a condução de seus grupos. Porém
devo destacar um. E acredito que Rhaoni Silva, entre as que eu vi, teve um
papel ainda mais fundamental ao sucesso da preciosa Arraiá do Koroné. Como
sabemos, a Arraiá enfrentou uma apresentação difícil no Arraial da Mira, mas
que não foi trágico devido à condução de seu líder que manteve o restante de
seu grupo direcionado mesmo diante da adversidade. Por isso, meus francos
elogios, Arraiá do Koroné é a demonstração mais viva de garra em 2014.
Casal destaque
Embora
os noivos sejam certamente os brincantes mais bem escolhidos para protagizar o
prólogo de suas juninas, outros casais merecem muito destaque. E minha escolha
pode parecer um pouco estranha, mas devo creditar a Joselita Marques e Tharles Ponciano, da
Matutos do Rei, uma citação. São considerados noivos de suas quadrilhas,e
deveriam concorrer em tal categoria, mas como já me pronunciei aqui, acredito
que a arte da Matutos do Rei merece maiores elogios por não ter subestimado a
inteligência do público. Nessa quadrilha, temos quatro casais de “noivos”,
porém o verdadeiro protagonista do prólogo é o pescador e seus encontros
amorosos. Portanto, segue oportuna minha escolha. Joselita e Tharles possuem um
entrosamento único. Ela, munida de seu sorriso, suas graças, suas caras e bocas
e ele, do outro lado, conduzindo a dama com profissionalismo e charme. Será uma
parceria rotulada como inesquecível, e esperamos esse show se repita no ano que
segue.
Outro Casal
destaque
Já
tenho escolhido o meu casal, mas não posso de deixar de dar meu destaque a
outro par também importante. Bruna Adriele novamente figura aqui, desta vez com
seu cavalheiro Max Sandro. Confesso: eu achei bem desenvolvidos os seus
figurinos e a condução que o casal teve durante os trinta minutos. Juntos e
somente juntos transbordaram emoção, parceria e acima de tudo, simpatia para o
público presente. Creio que eles carregavam a “coroa de rei” citada numa das
músicas do excelente repertório da Flor de Mandacaru.
Melhor Arte de
banner
Apesar
da sofisticação e da grandiosidade inundarem os arraias este ano, o banner do grupo
junino Zé Comeu contrastou com esse vendaval de criatividade, colocando no
palco algo simples, poético e dentro do tom que eles propunham fazer no
arraial. Sua arte traz nas entrelinhas todo o universo que a Zé Comeu aborda
nos seus trinta minutos de apresentação, pois sabemos que a quadrilha retratou
em sua apresentação uma história muito dinâmica, e que portanto, exige caminhar
entre diversos cenários. Enfim, artisticamente lindo e materialmente
impressionante.
Destaque banner
Maior mico
Creio
que nossas juninas não decepcionaram. Nosso arraial que foi da ilusão, dos
costumes, dos encantos e dos amores impossíveis mostraram que é imaginável se
aproximar da arte em tempos em que somente a vulgaridade merece valor. Por
isso, acredito que embora tenham ocorrido falhas, o saldo é comparável a uma
goleada. As juninas marcaram 7 a 1 contra o descrédito e a falta de recursos.Cada
gol desses jovens custou a vergonha do poder público local. É, caros leitores,
foi um dos anos em que nossas juninas mais passaram por sérios apertos
financeiros. E ilustro isso com a Flor de Mandacaru, ou mesmo a balsense Arraiá
do Koroné ou a imperatrizense Zé Comeu que correram com garra atrás de recursos
(que estão mal guardados nos cofres públicos) para levar seus encantos para
fora de seus domínios. Assim, aqueles que se consideram donos das chaves que
abrem os cofres públicos merecem esse troféu mico. Um ano em que não vimos
apoio maciço das secretarias de cultura e outros órgãos. Uma antítese triste de
se ver: quem deveria estar regando nossos grupos juninos, concorre para que
eles sejam podados. Mas acredito na força das nossas juninas. E que venha 2015
subverter esse quadro!



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