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| Imagem: Marcelo Cruz |
Há tempos não se via um
espetáculo de grande qualidade nas terras regadas pelo suor de Bernardo Sayão.
Um primor, um biscoito fino, a excelência da arte e a materialização do belo. A
quadrilha junina Matutos do rei mostrou que sim, a criatividade do açailandense
ainda respira nesses pulmões poluídos pela influência paraense. Soube
apresentar ao público uma experiência quase única: um grande espetáculo, no sentido literal da palavra.
Tivemos aproximadamente trinta minutos de uma obra de arte verdadeiramente
pública, gratuita e acima de tudo, excepcional.
O
que se viu em Matutos do Rei foi a apoteose da criatividade. Como se
manipulassem uma receita, os artistas dessa quadrilha colocaram exatamente cada
dose dos elementos juninos na medida correta e adequada para a apresentação que
se propunham. Oras, é quadrilha! Se é quadrilha deve seguir uma tradição...
Porém, caros leitores, não estamos falando de quadrilhas comuns, dessas que
aproveitam peças de roupas de um ano para o outro. Estamos falando de inovação,
sofisticação, charme e acima de tudo, criatividade. Somente esta última nos
permite cruzar a linha do horizonte que separa a quadrilha de qualquer outro
suporte cultural estigmatizado como “brega”. Sensual, maliciosa, ousada, com
louvor, sim! Pois, definitivamente, o último adjetivo que se poderia utilizar
para Matutos do Rei é o “brega”. Ainda não, por sorte.
Com
investimentos altíssimos na criatividade, os artistas da Matutos do Rei
conquistaram fãs ao não subverter a inteligência do seu público. Logo no
início, uma belíssima surpresa: quatro lindas noivas eram as protagonistas do
prólogo que viria a seguir. Com efeitos especiais mimosamente calculados, a
quadrilha levou o mar para o seu público afundando-os numa magia interminável
(ao menos por trinta minutos). As referências às aguas estavam presentes em
todo o corpo da quadrilha: presença de sereias, pescadores, peixes, romances
embalados pela água salgada desenhavam uma apresentação que seria
posteriormente coroada como a melhor da noite. Matutos do Rei merece elogios
inclusive pelo figurino, com dois tons de azul imitando a coloração do mar,
importantíssimas para dar o tom lúdico da apresentação.
Um
luxo! Gritava um dos mais exaltados integrantes desse grupo junino – assim que seus
componentes preferem se referir às habituais quadrilhas. Posso imaginar o que
veio a seguir: diversas mensagens no whatsapp e facebook de cada um dos
componentes elogiando a atuação e a criatividade que o grupo desprendeu para materializar
a apresentação que vimos. Matutos usou a
sensualidade a seu favor e abusou da riqueza cultural que estava a explorar –
as águas. O frisson do público ao final reafirma essas minhas humildes palavras
lançadas à sorte nesse nicho chamado internet. Quem estava lá, viu!
Brevemente publicando sobre a outra apresentação marcante do Arraial Municipal de Açailândia: Flor de Mandacaru!
Brevemente publicando sobre a outra apresentação marcante do Arraial Municipal de Açailândia: Flor de Mandacaru!
Saudações de
K. Fera

Um texto a altura do espetáculo. Uma análise metafórica, poética e tão bela quanto o azul do mar.
ResponderExcluirAgradeço em nome de todos o componentes, e ficamos honrados é ver nosso trabalho reconhecido! Obrigado mesmo !!!
ResponderExcluirUm explendor de apresentaçao, que se corou com a vitoria do arraial da mira em Imperatriz.
ResponderExcluirParabéns a todos os componentes da Matutos do Rei.