terça-feira, 3 de junho de 2014

Matutos do rei: a apoteose da criatividade



Imagem: Marcelo Cruz

Há tempos não se via um espetáculo de grande qualidade nas terras regadas pelo suor de Bernardo Sayão. Um primor, um biscoito fino, a excelência da arte e a materialização do belo. A quadrilha junina Matutos do rei mostrou que sim, a criatividade do açailandense ainda respira nesses pulmões poluídos pela influência paraense. Soube apresentar ao público uma experiência quase única: um grande espetáculo, no sentido literal da palavra. Tivemos aproximadamente trinta minutos de uma obra de arte verdadeiramente pública, gratuita e acima de tudo, excepcional.

O que se viu em Matutos do Rei foi a apoteose da criatividade. Como se manipulassem uma receita, os artistas dessa quadrilha colocaram exatamente cada dose dos elementos juninos na medida correta e adequada para a apresentação que se propunham. Oras, é quadrilha! Se é quadrilha deve seguir uma tradição... Porém, caros leitores, não estamos falando de quadrilhas comuns, dessas que aproveitam peças de roupas de um ano para o outro. Estamos falando de inovação, sofisticação, charme e acima de tudo, criatividade. Somente esta última nos permite cruzar a linha do horizonte que separa a quadrilha de qualquer outro suporte cultural estigmatizado como “brega”. Sensual, maliciosa, ousada, com louvor, sim! Pois, definitivamente, o último adjetivo que se poderia utilizar para Matutos do Rei é o “brega”. Ainda não, por sorte.

Com investimentos altíssimos na criatividade, os artistas da Matutos do Rei conquistaram fãs ao não subverter a inteligência do seu público. Logo no início, uma belíssima surpresa: quatro lindas noivas eram as protagonistas do prólogo que viria a seguir. Com efeitos especiais mimosamente calculados, a quadrilha levou o mar para o seu público afundando-os numa magia interminável (ao menos por trinta minutos). As referências às aguas estavam presentes em todo o corpo da quadrilha: presença de sereias, pescadores, peixes, romances embalados pela água salgada desenhavam uma apresentação que seria posteriormente coroada como a melhor da noite. Matutos do Rei merece elogios inclusive pelo figurino, com dois tons de azul imitando a coloração do mar, importantíssimas para dar o tom lúdico da apresentação.

Um luxo! Gritava um dos mais exaltados integrantes desse grupo junino – assim que seus componentes preferem se referir às habituais quadrilhas. Posso imaginar o que veio a seguir: diversas mensagens no whatsapp e facebook de cada um dos componentes elogiando a atuação e a criatividade que o grupo desprendeu para materializar a apresentação que vimos.  Matutos usou a sensualidade a seu favor e abusou da riqueza cultural que estava a explorar – as águas. O frisson do público ao final reafirma essas minhas humildes palavras lançadas à sorte nesse nicho chamado internet. Quem estava lá, viu!

Brevemente publicando sobre a outra apresentação marcante do Arraial Municipal de Açailândia: Flor de Mandacaru!

Saudações de

K. Fera


3 comentários:

  1. Um texto a altura do espetáculo. Uma análise metafórica, poética e tão bela quanto o azul do mar.

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  2. Agradeço em nome de todos o componentes, e ficamos honrados é ver nosso trabalho reconhecido! Obrigado mesmo !!!

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  3. Um explendor de apresentaçao, que se corou com a vitoria do arraial da mira em Imperatriz.

    Parabéns a todos os componentes da Matutos do Rei.

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