quarta-feira, 2 de julho de 2014

K. Fera entrevista: Tharles Ponciano

Imagem cedida pelo entrevistado

Ele é Tharles Ponciano, 27 anos, o coreógrafo, educador físico e dançarino mais famoso da nossa cidade do ferro. No grupo junino Matutos do Rei, ele tem a oportunidade de mostrar seus múltiplos talentos construindo um espetáculo aplaudido com louvor. Tharles parece não ter medo de ir longe, de explorar ao máximo sua criatividade para a criação dos passos deixando a energia junina incendiar seu coração quadrilheiro. Ao lado de Xico Cruz e Jhonatan Polary, está na linha de frente que comanda um dos mais fecundos grupos juninos do Maranhão, que este ano trouxe um espetáculo glorioso, embora alvo de algumas críticas. Hoje, um dos quatro noivos da MR nos conta como é ter manter inúmeras atividades a frente de um grupo com potencial para ser o melhor do Brasil num futuro próximo.

1. Há quanto tempo você está a frente do espetáculo da MR? Como você desenvolve suas ideias nesse grupo junino?
TP: Eu estou na linda de frente das coreografias da Matutos do Rei desde 2011 com o tema “Cio da terra” até hoje 2014 “Arraia do pescador, um mar de ilusão”, minha ideia é desenvolvida a partir do tema proposto pelo Xico Cruz, e analiso todo o texto e sua proposta para assim casar com minhas ideias coreográficas para não sairmos fora da proposta. Dessa forma venho desenvolvendo até hoje.

2. Qual foi a inspiração para colocar em prática o tema deste ano?
TP: Bom, esse ano tivemos uma proposta mais que especial, e sem contar que eu adoro essa proposta mística de falar das águas, pescadores e Iemanjá. A cada momento que entrava naquela quadra (escola José Cesário) durante esses seis meses, logo vinha um turbilhão de ideias! Lógico que sempre trabalhando muito feliz e quando estou feliz a inspiração simplesmente flui, isso que sempre quis e quero passar: muita alegria através do meu trabalho.

3. Quais as maiores dificuldades que vocês enfrentaram durante o processo de pré-produção da MR?
TP: Dificuldades existem em todos os grupos, e na MR não é diferente; acho que ainda falta de compromisso do grupo que participa no que diz respeito ao cumprimento de horário, acho que essa foi minha grande dificuldade. Melhor dizendo, não são todos os brincantes, mas existe sim esse problema. Outro importante problema é você se limitar, utilizando determinado fragmento no espetáculo por falta do financeiro, isso também acaba fechando as ideias, mas ainda bem que sou bem flexível, se não tem, vamos procurar outro caminho para que o espetáculo possa acontecer.

4. O que a MR diz sobre as críticas dos demais grupos que a acusaram de ter mutilado a tradição junina com a presença de passos e músicas de religiões afro?
TP: Todas as criticas são bem vindas desde que sejam construtivas, a Matutos do Rei não foi a primeira e nem a última a falar de um tema desafiador, entramos no arraiá com uma proposta que já sabíamos que muita gente iria crucificar, mas se observarem bem nosso tema, tem tudo a ver com a realidade da vida de um pescador tradicional. Nas minhas coreografias, você pode ver muito bem que utilizo passos tradicionais com frequência para não perder essa essência junina, tradicional, só que forma diferenciada. MR mostrou como toda sua humildade um bom trabalho, o que para nos é o mais importante, pois a críticas sempre irão surgir, e nós aceitamos numa boa.

5. Como vocês veem o espetáculo da MR? Acreditam que conseguiram inovar sem perder as origens juninas?
TP: Creio que sim, pois a cada espetáculo uma nova ideia, uma nova inspiração e tenho certeza que ano que vem vamos ter uma ideia melhor que 2014 e lógico como respeito muito o tradicional, não vou deixar morrer a originalidade da essência junina, mas lógico dando aquele toque de criatividade.

6. Como é o relacionamento entre os brincantes da MR?
TP: Eu acho bem bacana, pois a maioria deles e delas são muito amigos, uns ajudam os outros, mas como você sabe, em todo grupo há brigas e na Matutos também acontece, só que de forma esporádica, sempre lutamos para construirmos um ambiente livre de brigas e fofocas, pois dessa maneira teremos uma atmosfera mais produtiva para nosso espetáculo.

7. Conte-nos um pouco da alegria de representar mais uma vez o Maranhão no espetáculo de quadrilhas promovido pela Globo Nordeste.
TP: Eu me sinto muito feliz, mas feliz mesmo! Pois mais uma vez, um sonho realizado ao levar o nome do nosso estado e da nossa cidade e lógico da nossa JUNINA MATUTOS DO REI. Hoje sim, vejo que posso bater no meu peito e dizer para todos que isso tudo é uma emoção de dever cumprido, e de muita satisfação, pois pela segunda vez nosso espetáculo foi reconhecido. A MATUTOS mostrou para todos que o Maranhão também tem quadrilha junina à altura para poder disputar em grandes campeonatos, e sem contar que é um evento maravilhoso, bem organizado onde temos o prazer de fazer e rever amigos, trocar experiências  e tornarmos mais ricos. Cada vez que você encontra esses grandes amantes do mundo junino, você se apaixona ainda mais.

8. Como você vê a colocação da MR no Arraial da Globo considerando que o Maranhão não tem histórico nesse tipo de competição?
TP: Eu fiquei muito incomodado com essa colocação, pois sei que a MR fez uma apresentação excelente, tal que rendeu vários elogios de grandes profissionais do mundo junino, pois chegou para mim comentários de que nunca tinham visto o Maranhão tão forte como em nossa apresentação. Falaram inclusive da proposta bem amarrada do espetáculo, mas fazer o quê?! Os jurados são eles, ninguém adivinha cabeça de jurado, mas mesmo assim estou muito feliz, pois a MR conseguiu tirar o Maranhão da mesma colocação de sempre (último lugar). Sei que foi uma grande apresentação, isso sim me deixou feliz, pois com humildade e determinação chegamos onde queríamos.

9. Quais acertos vocês pretendem manter em 2015 e com quais erros vocês aprenderam?
TP: Os acertos: - manter sempre a humildade como os outros quadrilheiros; - manter a chama sempre acesa do nosso São João maravilhoso pra que nosso junina Matutos do Rei venha crescer a casa dia; - trabalho coletivo isso é essencial; - reconhecer os erros pra melhorar e crescer a cada dia; - se entregar de corpo e alma à proposta elaborada do tema; - e ter metas, erros com que aprendemos: - ter foco; - responsabilidade acima de tudo que a junina não é só brincadeira; - que as fofocas entre os grupos não leva ninguém a lugar nenhum, no máximo traz constrangimento; - reconhecer o trabalho de cada um, pois cada componente tem sua importância e seu valor.

10. Como você enxerga as opiniões deste blogueiro (K. Fera)?
TP: Olha, leio desde o inicio seus textos, para mim são válidos, pois vejo sempre suas opiniões de forma construtiva não destrutiva, isso cabe a cada um de nos que fazemos o mundo junino aceitar ou não as opiniões, mas até agora estou muito feliz com sua atuação perante os grupos aqui destacado em sua página, continue fazendo esse seu trabalho que acho extremamente importante. Abração, parabéns pelo seu blog e sucesso.

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