Imagem: Facebook Arraiá do Koroné
Sinto-me em profunda dívida com a
brilhante Arraiá do Koroné. Após uma bela vitória no Arraial do Zé Teixeira, em
Grajaú, no último dia 29, este blogueiro manteve-se em silêncio num blog que
hoje, entre os amantes juninos, é considerado sucesso. Peço perdão pelo atraso,
por isso devo me explicar: as últimas semanas foram intensas; tivemos Matutos
do Rei representando o Maranhão no Concurso da Globo Nordeste, Flor de
Mandacaru passando por dificuldades e inúmeras entrevistas para serem ainda
publicadas. Soma-se ao meu diminuto tempo dividido entre trabalhos, empregos e
mundo virtual. Ufa! Mas isso não me fez esquecer a magia deliciosa da Arraiá do
Koroné, cuja apresentação no Arraial da Mira arrancou suspiros de mim e de
muitos de vocês, meus leitores. Mas como toda dívida se paga, ou prescreve,
prefiro aqui pagar; e com os juros que o grupo junino merece.
Ao menos meu texto virá num momento em
que os corações dos componentes da Arraiá do Koroné estão mais quietos, assim
garanto a idoneidade psicológica deles ao apreciar essa leitura. Posso calcular
em números a emoção do grupo junino ao receber o coroamento do belo Arraial do
Zé Teixeira, embora não possa ser possível vislumbrar sequer a metade da
alegria que acometeu os ânimos desses brincantes. Falo, caros leitores, de uma
quadrilha de tradição na cidade de Balsas. Conforme muitos leram aqui, na
entrevista do Rhaoni Silva semanas atrás, a Arraiá do Koroné iniciou seus
trabalhos modestamente, com barreiras pesadas como o fato de estar numa cidade
distante dos grandes centros, mas que jamais desanimou em promover sua arte,
suas cores e sua graça.
Sabemos que a “graça”, Arraiá do Koroné
conhece muito bem. Este ano, enfrentou um dos maiores desafios da sua trajetória;
como noticiado aqui, cantaram a capela
parte do seu repertório após um erro técnico ter impossibilitado seu áudio de
prosseguir. Porém, diante desse problema não sucumbiram; preferiram continuar a
plenas forças de seus pulmões o espetáculo que propuseram ao público. Algo
digno de se ver. Nesse ano, Arraiá do Koroné trouxe como tema “Do outro lado da
Vida”, iniciando um diálogo e uma reflexão com seu público ao inquirir sobre a
possibilidade de voltar do além. Prestes a cair num tema metafísico demais para
colocar no Arraial, o grupo junino não se equivocou. A resposta era algo
relacionado às raízes dessas festas, em alto som a resposta do grupo era: “eu
dançaria São João com meu bem!”.
O espetáculo da Arraiá do Koroné flerta
com ingenuidade, namora o dinamismo e tem seu clímax com a inovação. Acima de
tudo, temos um grupo junino vivo, que incendia, e que não tem medo de se
entregar no arraial para seu público. A Arraiá é uma quadrilha destemida,
corajosa, tal como um redemoinho capaz de tirar do chão tudo o que vê pela
frente. Não tem medo de mostrar seu colorido; o que poderia ser defeito é
trabalhado a seu favor. Aliás, não tem dificuldades ou medo de receber
críticas. Mas a maior arma dessa quadrilha está no seu grupo: percebe-se ao
longe a harmonia e comunhão que seus brincantes têm entre si.
Identificação é a chave do sucesso para
tudo o que se tem na vida. Com tantos talentos a seu dipor, é missão impossível
ficar indiferente ao fulgor desse grupo junino. E foi com essa certeza que a
Arraiá conseguiu conquistar mais um título em sua não tão breve trajetória. A
quadrilha conseguiu a honra de se tornar o mais bem votado grupo do Arraial do
Zé Teixeira vencendo outros grandes nomes e firmando mais uma insígnia que só é
menor que a extensão de sua arte. Por assim, esse grupo é merecedor desse
prêmio e de outros que virão a surgir. A magia de suas cores avivou o arraial e
a graça de seus movimentos enriqueceu ainda mais o incontrolável movimento junino
da nossa região junina. Applause!
A união dramática e coreográfica da
Arraiá do Koroné foi inteligente e mostraram uma força imensa, coragem de
vencer e energia para garantir mais um troféu em sua estante de títulos. A
quadrilha estava em sua melhor forma, embora o sufoco por qual passaram no
estacionamento do Imperial Shopping ser a razão de terem me ganhado como
admirador e crítico. Com esse título, os meninos da Rua Coronel Silva Neto
estão mais confiantes que nunca e prometem um 2015 ainda mais emocionante,
capaz de chacoalhar com o universo junino de Balsas e região. Espero estar
aqui vivo, escravizando meus miúdos dedos para escrever mais um elogio para
esse valioso grupo junino liderado pelo grande Rhaoni Silva. Mas caso eu morra,
um grande consolo: eu voltaria do além para assistir mais uma apresentação de vocês,
Arraiá. Então, trabalhem!
Com
as felicitações de
K.
Fera

Fico grato pelo seu reconhecimento, é ano que vem você estará sim vivo com Fé em Deus, para ver mais um espetáculo do Arraia do Koroné. :)
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