sexta-feira, 13 de junho de 2014

Flor de Mandacaru: Entre os pares, um noivo ímpar

Imagens: Facebook de Ender França

A última apresentação da Flor de Mandacaru ocorreu esta quarta-feira, 11, na escola Divino Mestre. Eu, dessa vez estava lá devido o simples cruzamento de acaso com o belo. Não poderia esperar uma quadrilha desse porte: estava disposto a assistir apenas a apresentações estudantis juninas bastante tradicionais. Minha grande surpresa foi ver a quadrilha Flor de Mandacaru encher a quadra da escola com seu preto-amarelo numa época em que as cores mais valorizadas estão são o verde e o amarelo. Sua apresentação mais uma vez mexeu com o coração de jovens, adultos e crianças que acompanhavam mais uma tradicional festa junina da nossa cidade. Levou outra vez o mesmo espetáculo que vimos no Arraial Municipal. A mesma peleja em se firmar como a melhor e mesma fé que permeia todo o seu projeto de existência.



De um conjunto de pares incendiados pela energia junina, os destaques da Flor têm estrelismo nato. Na dianteira do grupo junino, com vestes distintas dos demais, cinco pares presenteiam sua plateia com um brilho no olhar imprescindível para que a Flor de Mandacaru tatue sua marca no Arraial. Não, caros leitores, a Flor jamais seria protagonista de meus textos caso eu não visse aquele brilho intenso no olhar dos componentes que lideram as alinhadas fileiras. Mais ainda afunilando essa dezena de pessoas que dão vivacidade à frente da quadrilha junina, um especial é impar: o noivo.



Desde que a Flor de Mandacaru proclamava em alto som a comemoração da Festa do pau da bandeira em 2010, Lauender França interpreta esse personagem importantíssimo para a condução do enredo junino. Sem noivo, não há quadrilha – vide o mar que trouxe quatro noivos para a mágica Matutos do Rei. E sem quadrilha, não há espetáculo. Sim, meus caros, não coloco ‘quadrilha’ e ‘espetáculo’ como termos sinônimos. O último é evolução arrebatadora do primeiro. E durante o crescimento exponencial que o espetáculo junino da Flor manteve entre 2010 e 2014, um mesmo protagonista estava lá; vestido de branco com um encanto acima da média.



Quando ainda usávamos o Orkut para alimentar nossa vontade de vermos os figurinos e as danças juninas, Lauender França já estava trabalhando arduamente na Flor com o papel principal. Em quatro anos, nada lhe foi tirado. Seu evidente carisma e disposição para bailar durante vinte e cinco ou trinta minutos, mantiveram acesas uma quadrilha que precisa não somente de boas ideias, mas de gente qualificada que a execute. Quadrilha junina tem alma sim, mas seu corpo deve estar bem adornado e em forma. E é isso que justifica ele manter-se invicto como o noivo da Flor: é o astro ou cartão de visitas que leva a simpatia da quadrilha horizontes afora.



Lauender não tem medo de se jogar. Não tem medo de ir longe. Executa os passos que aprendeu durante os tortuosos ensaios de dez meses com simpatia, criatividade e acima de tudo, bom senso. Somos levados a bailar com o noivo, na leveza de seus passos, como se fôssemos parte integrante desse grupo junino. Sei o quanto deve ser difícil exibir um sorriso, atuar e estar com os pés em intenso movimento durante trinta minutos, além de ter em volta milhares de olhos desejando uma falha do noivo para promover um minuto de diversão. Então, tal tarefa só pode ser confiada a um excelente artista “completão” (não no sentido Faustão de se dizer). Até porque a sobrevivência de um grupo cultural, em qualquer hipótese, é condicionada à garra e competência de seus líderes.



Novamente, se houvesse um prêmio no Arraial da Mira para o melhor noivo, sugeriria imediatamente no nome do noivo da Flor de Mandacaru. Jogaria confetes nos jurados caso minha sugestão fosse acatada. Embora perceba que há outros componentes capazes de encarar a mesma tarefa com o mesmo louvor, Lauender França é sem sombra de confusão mental, um membro essencial da Flor de Mandacaru. Daqueles que mesmo se dançasse no pelotão último dessa junina, ainda teria destaque. Certamente ainda veremos o jovem noivo a casar-se por mais umas centenas de vezes nos arraias desse Brasil. Lauender é desses fenômenos tão raros como encontrar uma legítima flor de mandacaru. A plateia gostou dele, eu gostei dele, todo mundo gostou e quer encontra-lo outra vez. À produção artística, responsável pela escolha dos destaques, um humilde conselho baseado num velho clichê futebolístico: em time que está ganhando, não se mexe. É! Lembrem-se: estamos na Copa.



Com as felicitações de

K. Fera



Brevemente escrevendo sobre a noiva da Flor de Mandacaru. Aguardem!

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