sábado, 14 de junho de 2014

K. Fera entrevista: Glauber Júnior

Imagem cedida pelo entrevistado

Ele é Glauber Júnior, 21 anos, um dos jovens responsáveis por colocar em prática um dos maiores espetáculos juninos em Açailândia: a Flor de Mandacaru. A quadrilha nasceu tímida, pequena, com mais desejos de ser grande que perspectivas para tanto. Logo ganhou a simpatia de uma cidade inteira, apresentando um jeito diferente de fazer quadrilha, inspirado sobretudo na emoção. Hoje ele nos mostra um pouquinho da face da queridinha de Açailândia. Desde o processo de pré-produção, dificuldades, alegrias e sensações de um organismo vivo que é o grupo junino Flor de Mandacaru.

1. Qual foi o maior desafio da Flor de Mandacaru em 2014?
GJ: Digo que o ano de 2014 foi o ano das "provações" em nossa quadrilha. Os desafios foram enormes, mas o principal deles foi porque este ano seria o ano findouro do grupo junino devido alguns fatores internos, mas a quadrilha foi teimosa e o que parecia ser um São João inesquecível para o público, tornou-se para nós que somos da Flor de Mandacaru.

2. Como é o processo de pré-produção da quadrilha junina?
GJ : O processo de pré-produção parte de uma ideia que Raul tem. As primeiras ideias partem dele, depois ele passa para produção artística que neste ano foram compostas por Lauender (noivo), Fernando (coreógrafo), Evaldo (desenhista do figurino) e eu (diretor de teatro). Daí partimos para escolha de repertório, figurino, criação do casamento, etc. Confesso que não é fácil. Sempre procuramos inovar, colocar algo inusitado, diferente.

3. O que inspirou a Flor a falar de fé e costumes numa época em que as pessoas são muito volúveis e incrédulas? 
GJ: Nos foi lançado o desafio de mostrarmos a fé do nordestino que já viu a morte de frente, que sente o que é perder um ente querido por conta da seca do sertão e ainda sim ter fé de que tudo dará certo no final. Também queremos mostrar os costumes que o Nordeste tem, no casamento por exemplo, usamos um causo onde um homem está prestes a morrer, o costume está no fato dele ser amparado numa rede segurada por dois homens, que no sertão ou interior, quando um pessoa vai ser enterrada sempre são levadas em redes. As músicas também retratam os costumes.

4. Você acha que é possível inovar as tradicionais quadrilhas juninas sem perder as origens?
GJ: Acredito que sim, desde que se tenha prudência na hora de escolher o tema e o enredo do espetáculo. Não podemos esquecer de que se trata de festa junina, de tradição. Essas origens não podem ser esquecidas!

5. A Flor é uma quadrilha que aposta na encenação, na dança ou no acordo entre esses dois elos?
GJ: No nosso espetáculo, sempre há um elo entre encenação e dança. Para que se entenda o espetáculo por completo é preciso que o espectador prestigie todo o espetáculo, o que também é uma estratégia, mas também um desafio, pois temos prender a atenção do público.

6. Como o relacionamento entre os componentes da Flor?
GJ: Somos uma família, que acima de tudo se ajuda. Não há uma rivalidade entre nossos componentes e mesmo que haja, procuramos sempre resolver. Todos ali são tratados de igual pra igual, e se passa por algum problema. Todos fazem de tudo pra ajudar. Defino a Flor como minha segunda família.

7. Quais as dificuldades que seu grupo junino enfrenta para levar esse espetáculo grandioso mundo afora?
GJ: Não apenas a Flor, mas o movimento junino em si... Nossa maior dificuldade é ajuda financeira. Ainda não encontramos alguma pessoa ou órgão público que possa nos ajudar nessa questão. Temos ajuda da prefeitura, mas não é o suficiente, já que gastamos em média 40 mil reais por espetáculo. Então sempre temos que dar um “jeitinho” pra conseguir este dinheiro.

8. Qual a maior alegria da Flor nesse ano de 2014?
GJ: Ver que nosso trabalho é reconhecido pelo público, só o fato de sermos elogiados pelas pessoas que nos assistem já nos dá uma alegria imensa, acredito que o maior jurado é o publico, claro que sempre precisamos da opinião de profissionais, mas o publico pra mim contribui demais para essa alegria. Também temos orgulho de ajudar a cultura de Açailândia, assim como outras quadrilhas.

9. Como você vê o futuro da Flor?
GJ: A Flor de Mandacaru é uma quadrilha que tem tudo para crescer, ser uma representante do Maranhão à altura. Sou muito suspeito pra falar (Risos). Mas acredito que os meninos que iniciaram este trabalho nunca imaginariam a repercussão que esta junina iria causar.

10. Como a Flor vê as opiniões deste blogueiro (K. Fera)?
GJ: Todos nós ficamos felizes em ver que temos finalmente alguém que prestigie e divulgue o nosso trabalho, sua opinião é o reconhecimento do publico, acredito que temos a opinião do público representado por sua pessoa.

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