Imagem cedida pelo entrevistado
Ele é
Glauber Júnior, 21 anos, um dos jovens responsáveis por colocar em prática um
dos maiores espetáculos juninos em Açailândia: a Flor de Mandacaru. A quadrilha
nasceu tímida, pequena, com mais desejos de ser grande que perspectivas para
tanto. Logo ganhou a simpatia de uma cidade inteira, apresentando um jeito
diferente de fazer quadrilha, inspirado sobretudo na emoção. Hoje ele nos
mostra um pouquinho da face da queridinha de Açailândia. Desde o processo de
pré-produção, dificuldades, alegrias e sensações de um organismo vivo que é o
grupo junino Flor de Mandacaru.
1. Qual
foi o maior desafio da Flor de Mandacaru em 2014?
GJ: Digo que o ano de 2014 foi o
ano das "provações" em nossa quadrilha. Os desafios foram enormes,
mas o principal deles foi porque este ano seria o ano findouro do grupo junino
devido alguns fatores internos, mas a quadrilha foi teimosa e o que parecia ser
um São João inesquecível para o público, tornou-se para nós que somos da Flor
de Mandacaru.
2. Como é
o processo de pré-produção da quadrilha junina?
GJ : O processo de pré-produção
parte de uma ideia que Raul tem. As primeiras ideias partem dele, depois ele
passa para produção artística que neste ano foram compostas por Lauender
(noivo), Fernando (coreógrafo), Evaldo (desenhista do figurino) e eu (diretor
de teatro). Daí partimos para escolha de repertório, figurino, criação do
casamento, etc. Confesso que não é fácil. Sempre
procuramos inovar, colocar algo inusitado, diferente.
3. O que
inspirou a Flor a falar de fé e costumes numa época em que as pessoas são muito
volúveis e incrédulas?
GJ: Nos foi lançado o desafio de
mostrarmos a fé do nordestino que já viu a morte de frente, que sente o que é
perder um ente querido por conta da seca do sertão e ainda sim ter fé de que
tudo dará certo no final. Também queremos mostrar os costumes que o Nordeste
tem, no casamento por exemplo, usamos um causo onde um homem está prestes a
morrer, o costume está no fato dele ser amparado numa rede segurada por dois
homens, que no sertão ou interior, quando um pessoa vai ser enterrada sempre
são levadas em redes. As músicas também retratam os costumes.
4. Você
acha que é possível inovar as tradicionais quadrilhas juninas sem perder as
origens?
GJ: Acredito que sim, desde que se tenha prudência na hora de escolher o
tema e o enredo do espetáculo. Não podemos esquecer de que se trata de festa
junina, de tradição. Essas origens não podem ser esquecidas!
5. A Flor
é uma quadrilha que aposta na encenação, na dança ou no acordo entre esses dois
elos?
GJ: No nosso espetáculo, sempre
há um elo entre encenação e dança. Para que se entenda o espetáculo por
completo é preciso que o espectador prestigie todo o espetáculo, o que também é
uma estratégia, mas também um desafio, pois temos prender a atenção do público.
6. Como o
relacionamento entre os componentes da Flor?
GJ: Somos uma família, que acima
de tudo se ajuda. Não há uma rivalidade entre nossos componentes e mesmo que
haja, procuramos sempre resolver. Todos ali são tratados de igual pra igual, e
se passa por algum problema. Todos fazem de tudo pra ajudar. Defino a Flor como
minha segunda família.
7. Quais
as dificuldades que seu grupo junino enfrenta para levar esse espetáculo
grandioso mundo afora?
GJ: Não apenas a Flor, mas o
movimento junino em si... Nossa maior dificuldade é ajuda financeira. Ainda não
encontramos alguma pessoa ou órgão público que possa nos ajudar nessa questão.
Temos ajuda da prefeitura, mas não é o suficiente, já que gastamos em média 40
mil reais por espetáculo. Então sempre temos que dar um “jeitinho”
pra conseguir este dinheiro.
8. Qual a
maior alegria da Flor nesse ano de 2014?
GJ: Ver que nosso trabalho é
reconhecido pelo público, só o fato de sermos elogiados pelas pessoas que nos
assistem já nos dá uma alegria imensa, acredito que o maior jurado é o publico,
claro que sempre precisamos da opinião de profissionais, mas o publico pra mim
contribui demais para essa alegria. Também temos orgulho de ajudar a cultura de
Açailândia, assim como outras quadrilhas.
9. Como
você vê o futuro da Flor?
GJ: A Flor de Mandacaru é uma
quadrilha que tem tudo para crescer, ser uma representante do Maranhão à
altura. Sou muito suspeito pra falar (Risos). Mas acredito que os meninos que
iniciaram este trabalho nunca imaginariam a repercussão que esta junina iria
causar.
10. Como
a Flor vê as opiniões deste blogueiro (K. Fera)?
GJ: Todos nós ficamos felizes em
ver que temos finalmente alguém que prestigie e divulgue o nosso trabalho, sua
opinião é o reconhecimento do publico, acredito que temos a opinião do público
representado por sua pessoa.

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