domingo, 13 de julho de 2014

K. Fera entrevista: Paulo Rodrigo

Imagem cedida pelo entrevistado

Ele é Paulo Rodrigo, 23 anos, o marcador da mais tradicional quadrilha junina de Açailândia. Este ano, a Arrasta-pé de Açailândia trouxe como tema “Encantos Juninos”, que diferenciou o trabalho dessa junina em relação aos anos anteriores. No comando de uma das funções mais complexas de um grupo junino, Paulo Rodrigo hoje é porta-voz de um grupo que desde a década passada arrebata elogios de seu público ao conduzir um espetáculo com fulgor e muita, mas muita, energia.

Paulo, conte-nos um pouco da sua trajetória na função de marcador
PR: Minha trajetória como Marcador é minha trajetória como Quadrilheiro, pois desde sempre exerci essa função nos grupos Juninos nos quais participei. Em 2005, foi meu primeiro ano na Junina Cangaceiros do Nordeste, quadrilha que criei junto com velho amigo Arlenilson e 2006 continuei com esse trabalho,era uma Junina bem simples, coisa de escola, porém foi em 2007, mais precisamente em 2 de Junho daquele ano, eu e mais três amigos fundamos o Grupo Junino onde no qual eu descobriria uma nova história e um novo jeito de marcar quadrilha,a Junina Matutos do Rei. Nos dois primeiros anos, não houve muita diferença, mas no ano de 2009 quando Arlenilson, Igor, Johnatan e eu decidimos implantar o sistema estilizado em Açailândia, vi um novo desafio em minha vida, era um desafio grandioso, eu me tornava naquele ano o primeiro marcador de fato estilizado em nossa cidade, junto com minha Junina. Foi mágico, um universo que acabara de descobrir e me entreguei com confiança e fé de que aquilo seria transformador em minha vida e na minha forma de conduzir o grupo. Assim foi até 2013, na quadrilha Matutos do Rei. Em 2014, sabendo que eu não seria o Marcador da MR e o coração incomodado por não estar fazendo aquilo que é uma das razões que dá sentido a minha vida, resolvi aceitar o convite da Junina Arrasta Pé e experimentar algo novo, foi uma experiência que me agregou novos valores e me fez ainda mais experiente. Não esquecendo que minha fonte de inspiração foi, sem dúvidas, aquele que para mim é o melhor marcador deste país: Ananias Júnior, marcador da Junina Raio de Sol.

Você vê a marcação um fator fundamental para o sucesso de uma junina?
PR: Sim, sem dúvidas. O marcador é o elo entre a quadrilha, o público e jurado, ele tem a função de conduzir o espetáculo, de deixar claro o recado que o grupo quer passar e, de forma didática, ele é como o professor que explica a aula. O professor é o marcador; a aula é a Quadrilha/Tema e enredo proposto e o público é o aluno que quer compreender melhor aquela história, é algo mais ou menos assim. O marcador deve ter mobilidade com inteligência dentro do espaço do arraial,entonação de voz, é dançarino, é ator, tudo pra garantir o sucesso do grupo. Tem de haver sintonia, afinal nós, marcadores somos um quesito sempre presente nos grandes concursos. Portanto, sem dúvidas, é sim o marcador fator fundamental para sucesso da Quadrilha.

Você acredita que o trabalho do marcador é um trabalho meramente repetitivo?
PR: Não, jamais... Há momentos no espetáculo que você não pode e nem deve mudar às falas e textos, pois poderia mutilar o sentido da mensagem. No entanto, com uma boa dose de experiência você pode sim, de forma prudente, inovar em alguns gestos, expressões e até falas, surpreendendo mais ainda o público, porém isto exige confiança e certeza do que se está fazendo. Com certeza, não é uma função meramente repetitiva.

Qual a emoção de marcar, pela primeira vez, uma junina tão forte e tradicional como a Arrasta-pé?
PR: Um sentimento novo e prazeroso, a Junina Arrasta Pé me abriu as portas de uma forma surpreendente, e esse nome pesa, uma vez que se trata de uma das precursoras de nosso movimento. Houve momentos que foi visível minha emoção, passava em minha mente um filme de tudo que eu já vivi e estava prestes a viver. Sou grato à família Arrasta-pé pela recepção calorosa que me deram, aprendi a amar pessoas do grupo, fora a experiência absurda que ganhei.

O que mais chama sua atenção no tema deste ano “Encantos Juninos”?
PR: Os elementos que caracterizam verdadeiramente uma festa Junina, poder de alguma forma tentar retratar essas características tão presentes e marcantes no São João tais como a Fogueira, o balão, as comidas típicas, o colorido das vestes... Enfim, é isso.

Quais são acertos vocês pretendem manter no ano que vem e com quais erros a Arrasta-pé aprendeu este ano?
PR: Acertos, manter a evolução na qualidade do figurino e adereços. A quadrilha está bem nesses pontos, entre outros que aqui eu poderia destacar, quanto a erros todos tem e com a Arrasta-pé não seria diferente. Acredito que uma das missões da Junina é conseguir elaborar um texto mais preciso e ir direto ao ponto com mais didática.

Como você enxerga o crescimento da Arrasta-pé este ano de 2014 em relação aos anos anteriores?
PR: Na produção do espetáculo, e na estilização de fato em todos os sentidos do grupo, a Arrasta-pé cresceu e mostrou que pode se desenvolver ainda mais, aos poucos suas equipes, que darão ao grupo mais profissionalismo, estão sendo montadas e que consequentemente farão do grupo no futuro um dos mais elogiados e vencedores desta nova era Junina pela qual passa nossa cidade

Em sua opinião, qual qualidade a Arrasta-pé possui que a faz especial diante os outros grupos juninos?
PR: Humildade, agregada a um grupo de jovens sedentos por cultura junina, e, sobretudo, mais cultura junina no jeito da Arrasta-pé ser e fazer. E esse jeito é próprio e peculiar desta quadrilha.

Como você vê a Arrasta-pé no futuro? Acredita que grupo junino pode se firmar como uma das melhores do país?
PR: Isso vai depender da sede e da ambição da diretoria do grupo e percebo neles uma pretensão muito grande de ser grande e isso já é um primeiro passo: vontade. Agora é traçar planos e elaborar estratégias que possam propiciar o grupo a chegar lá. Não será uma tarefa fácil, mas também não é impossível e a história de outros grupos pode servir de inspiração.

Acompanha o blog do K. Fera? Que acha das opiniões deste blogueiro em relação a sua junina? PR: Acompanho sim, tudo o  que se enquadra na atmosfera junina me interessa, e não seria diferente com Carlos K. Fera. Se ele respira quadrilha, quero estar próximo e respirar também. Minha opinião é como a de muitos que já passaram por aqui, admiro seus posts e acho que numa cidade onde a cultura junina é tão homogênea e sólida, é lamentável a carência de uma imprensa especializada na área e você veio e quebrou essa paradigma, nos proporcionando degustar de bons textos e com sentido além de fomentar nossos trabalhos isso pra mim por si só já é bastante animador e motivo de felicidade. Parabéns pela iniciativa, tens em mim o apoio e um leitor assíduo.



"O marcador é o elo entre a quadrilha, o público e jurado, ele tem a função de conduzir o espetáculo, de deixar claro o recado que o grupo quer passar e, de forma didática, ele é como o professor que explica a aula." "                                                                                                                                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário