Imagem cedida pelo entrevistado
Ele é Paulo Rodrigo, 23 anos, o
marcador da mais tradicional quadrilha junina de Açailândia. Este ano, a
Arrasta-pé de Açailândia trouxe como tema “Encantos Juninos”, que diferenciou o
trabalho dessa junina em relação aos anos anteriores. No comando de uma das
funções mais complexas de um grupo junino, Paulo Rodrigo hoje é porta-voz de um
grupo que desde a década passada arrebata elogios de seu público ao conduzir um
espetáculo com fulgor e muita, mas muita, energia.
Paulo, conte-nos um pouco da sua
trajetória na função de marcador
PR:
Minha trajetória como Marcador é minha trajetória como Quadrilheiro, pois desde
sempre exerci essa função nos grupos Juninos nos quais participei. Em 2005, foi
meu primeiro ano na Junina Cangaceiros do Nordeste, quadrilha que criei junto
com velho amigo Arlenilson e 2006 continuei com esse trabalho,era uma Junina
bem simples, coisa de escola, porém foi em 2007, mais precisamente em 2 de
Junho daquele ano, eu e mais três amigos fundamos o Grupo Junino onde no qual
eu descobriria uma nova história e um novo jeito de marcar quadrilha,a Junina
Matutos do Rei. Nos dois primeiros anos, não houve muita diferença, mas no ano
de 2009 quando Arlenilson, Igor, Johnatan e eu decidimos implantar o sistema estilizado
em Açailândia, vi um novo desafio em minha vida, era um desafio grandioso, eu
me tornava naquele ano o primeiro marcador de fato estilizado em nossa cidade,
junto com minha Junina. Foi mágico, um universo que acabara de descobrir e me
entreguei com confiança e fé de que aquilo seria transformador em minha vida e
na minha forma de conduzir o grupo. Assim foi até 2013, na quadrilha Matutos do
Rei. Em 2014, sabendo que eu não seria o Marcador da MR e o coração incomodado
por não estar fazendo aquilo que é uma das razões que dá sentido a minha vida,
resolvi aceitar o convite da Junina Arrasta Pé e experimentar algo novo, foi
uma experiência que me agregou novos valores e me fez ainda mais experiente. Não
esquecendo que minha fonte de inspiração foi, sem dúvidas, aquele que para mim
é o melhor marcador deste país: Ananias Júnior, marcador da Junina Raio de Sol.
Você
vê a marcação um fator fundamental para o sucesso de uma junina?
PR: Sim, sem dúvidas.
O marcador é o elo entre a quadrilha, o público e jurado, ele tem a função de
conduzir o espetáculo, de deixar claro o recado que o grupo quer passar e, de
forma didática, ele é como o professor que explica a aula. O professor é o marcador;
a aula é a Quadrilha/Tema e enredo proposto e o público é o aluno que quer
compreender melhor aquela história, é algo mais ou menos assim. O marcador deve
ter mobilidade com inteligência dentro do espaço do arraial,entonação de voz, é
dançarino, é ator, tudo pra garantir o sucesso do grupo. Tem de haver sintonia,
afinal nós, marcadores somos um quesito sempre presente nos grandes concursos.
Portanto, sem dúvidas, é sim o marcador fator fundamental para sucesso da
Quadrilha.
Você
acredita que o trabalho do marcador é um trabalho meramente repetitivo?
PR: Não, jamais...
Há momentos no espetáculo que você não pode e nem deve mudar às falas e textos,
pois poderia mutilar o sentido da mensagem. No entanto, com uma boa dose de
experiência você pode sim, de forma prudente, inovar em alguns gestos,
expressões e até falas, surpreendendo mais ainda o público, porém isto exige
confiança e certeza do que se está fazendo. Com certeza, não é uma função
meramente repetitiva.
Qual
a emoção de marcar, pela primeira vez, uma junina tão forte e tradicional como
a Arrasta-pé?
PR: Um sentimento
novo e prazeroso, a Junina Arrasta Pé me abriu as portas de uma forma surpreendente,
e esse nome pesa, uma vez que se trata de uma das precursoras de nosso
movimento. Houve momentos que foi visível minha emoção, passava em minha mente
um filme de tudo que eu já vivi e estava prestes a viver. Sou grato à família
Arrasta-pé pela recepção calorosa que me deram, aprendi a amar pessoas do
grupo, fora a experiência absurda que ganhei.
O
que mais chama sua atenção no tema deste ano “Encantos Juninos”?
PR: Os elementos
que caracterizam verdadeiramente uma festa Junina, poder de alguma forma tentar
retratar essas características tão presentes e marcantes no São João tais como
a Fogueira, o balão, as comidas típicas, o colorido das vestes... Enfim, é
isso.
Quais
são acertos vocês pretendem manter no ano que vem e com quais erros a Arrasta-pé
aprendeu este ano?
PR: Acertos, manter
a evolução na qualidade do figurino e adereços. A quadrilha está bem nesses
pontos, entre outros que aqui eu poderia destacar, quanto a erros todos tem e
com a Arrasta-pé não seria diferente. Acredito que uma das missões da Junina é
conseguir elaborar um texto mais preciso e ir direto ao ponto com mais
didática.
Como
você enxerga o crescimento da Arrasta-pé este ano de 2014 em relação aos anos
anteriores?
PR: Na produção do
espetáculo, e na estilização de fato em todos os sentidos do grupo, a
Arrasta-pé cresceu e mostrou que pode se desenvolver ainda mais, aos poucos
suas equipes, que darão ao grupo mais profissionalismo, estão sendo montadas e
que consequentemente farão do grupo no futuro um dos mais elogiados e
vencedores desta nova era Junina pela qual passa nossa cidade
Em
sua opinião, qual qualidade a Arrasta-pé possui que a faz especial diante os
outros grupos juninos?
PR: Humildade,
agregada a um grupo de jovens sedentos por cultura junina, e, sobretudo, mais
cultura junina no jeito da Arrasta-pé ser e fazer. E esse jeito é próprio e
peculiar desta quadrilha.
Como
você vê a Arrasta-pé no futuro? Acredita que grupo junino pode se firmar como
uma das melhores do país?
PR: Isso vai
depender da sede e da ambição da diretoria do grupo e percebo neles uma pretensão
muito grande de ser grande e isso já é um primeiro passo: vontade. Agora é
traçar planos e elaborar estratégias que possam propiciar o grupo a chegar lá.
Não será uma tarefa fácil, mas também não é impossível e a história de outros
grupos pode servir de inspiração.
Acompanha
o blog do K. Fera? Que acha das opiniões deste blogueiro em relação a sua
junina? PR: Acompanho sim, tudo o que se enquadra na atmosfera junina me
interessa, e não seria diferente com Carlos K. Fera. Se ele respira quadrilha,
quero estar próximo e respirar também. Minha opinião é como a de muitos que já
passaram por aqui, admiro seus posts e acho que numa cidade onde a cultura junina
é tão homogênea e sólida, é lamentável a carência de uma imprensa especializada
na área e você veio e quebrou essa paradigma, nos proporcionando degustar de
bons textos e com sentido além de fomentar nossos trabalhos isso pra mim por si
só já é bastante animador e motivo de felicidade. Parabéns pela iniciativa, tens
em mim o apoio e um leitor assíduo.
"O marcador é o elo
entre a quadrilha, o público e jurado, ele tem a função de conduzir o espetáculo,
de deixar claro o recado que o grupo quer passar e, de forma didática, ele é
como o professor que explica a aula." "

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