Imagem: Facebook Arraiá do Koroné
O leitor mais atento já deve ter
percebido um paradoxo nas minhas abordagens. De um lado, um blog que alimento
cujo nome é ”Açailândia Junina”. Do outro, textos referenciando grupos juninos
fora desse eixo, como a balsense Arraiá do Koroné e a imperatrizense Zé Comeu.
Porém, creio que apesar de distantes da nossa aconchegante Açailândia, esses
grupos fazem parte de uma mesma história. Um momento cultural único, no qual
elas e suas irmãs Flor, Matutos, Arrasta-pé, Cangaceiros, Caipiras e outros que
ainda surgirão contribuem para uma cena muito maior que nosso eixo BR 010-222.
Trata-se do movimento junino, algo que está impulsionando nossa cultura local e
fazendo o Maranhão ainda mais memorável.
Dessa forma caberia rebatizar meu
blog de Universo Junino? Ou insistir no paradoxo para enriquecer o nome da nossa
cidade? Não sei. O certo é que continuo falando de cultura junina, onde quer
que ela se reproduza. E o meu comentário-satélite de hoje gira em volta de uma
estrela que promete brilhar ainda mais forte este ano: a sagaz Arraia do
Koroné.
Muitos têm falado que a Arraia é
minha preferida. Realmente, não posso esconder um gosto pessoal pelo caráter da
quadrilha balsense, mas não porque sua arte seja superior às demais. E sim,
porque ela imprime sinceridade em seu estilo. Para que eu chegasse a essa
conclusão, caro leitor, foram necessários muitos momentos de reflexão. Arraiá
do Koroné é um grupo que sobrevive da pureza que coloca nos tablados. A
sensação que posso compartilhar é de que o troféu é um mero enfeite: eles brigam para
conquistar um lugar no coração de um público que aos poucos se torna mais
exigente.
Ano passado, a junina Koroné
decidiu investir na emoção. Tivemos uma apresentação inesquecível: uma mescla
de cores, luzes, sons, e outras sensações que ao indivíduo comum seria
necessário um sexto ou sétimo sentido para conseguir identificar. A proposta da
Koroné que teve até ares metafísicos, consistia em colocar algo além daquilo
que estávamos acostumados a ver nos arraiás. E não era preciso ter o olhar
atento de K. Fera para absorver tamanhos efeitos! Nessa hora, a sinceridade de
seus artesãos foi a condição para que o público rastreasse tantas
possibilidades artísticas. O brilho no olhar do marcador diante da apresentação
que beirou à catástrofe já dizia tudo: eles queriam uma garbosa apresentação e lutaram para alcançar.
Difícil prever as propostas que
Arraiá trará esse ano. Enquanto as concorrentes procuram arranjos preciosos,
como numa caça ao tesouro sem direito a mapas, a junina Koroné me parece mais
capaz de fazer o caminho inverso: catar um carvão e enriquecê-lo até tornar-se diamante.
O grupo não precisa temer do que vai falar. E sim, trabalha na certeza de
transmitir um legado de significações com aquilo que vai expor ao público. Não
teve medo de tematizar a morte e o além com cores e luzes. E conseguiu assim
uma das mais interessantes inovações do ano de 2014.
Inovação é o que esperamos desse
grupo junino nascido em
Balsas. Assim como as demais, Arraiá do Koroné também passa
por momentos sérios, em que a falta de recursos concorre para frear a inventividade
do grupo. Creio eu que esses apaixonados jovens lidam com os freios de uma
maneira muito criativa: com muito esforço e convicção. Esses jovens sim, caro
Pedro Bial, são os nossos verdadeiros heróis.
Com os bons votos de
Carlos K. Fera

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