terça-feira, 28 de abril de 2015

Arraiá do Koroné: o quê esperar da balsense em 2015?

Imagem: Facebook Arraiá do Koroné

O leitor mais atento já deve ter percebido um paradoxo nas minhas abordagens. De um lado, um blog que alimento cujo nome é ”Açailândia Junina”. Do outro, textos referenciando grupos juninos fora desse eixo, como a balsense Arraiá do Koroné e a imperatrizense Zé Comeu. Porém, creio que apesar de distantes da nossa aconchegante Açailândia, esses grupos fazem parte de uma mesma história. Um momento cultural único, no qual elas e suas irmãs Flor, Matutos, Arrasta-pé, Cangaceiros, Caipiras e outros que ainda surgirão contribuem para uma cena muito maior que nosso eixo BR 010-222. Trata-se do movimento junino, algo que está impulsionando nossa cultura local e fazendo o Maranhão ainda mais memorável.

Dessa forma caberia rebatizar meu blog de Universo Junino? Ou insistir no paradoxo para enriquecer o nome da nossa cidade? Não sei. O certo é que continuo falando de cultura junina, onde quer que ela se reproduza. E o meu comentário-satélite de hoje gira em volta de uma estrela que promete brilhar ainda mais forte este ano: a sagaz Arraia do Koroné.

Muitos têm falado que a Arraia é minha preferida. Realmente, não posso esconder um gosto pessoal pelo caráter da quadrilha balsense, mas não porque sua arte seja superior às demais. E sim, porque ela imprime sinceridade em seu estilo. Para que eu chegasse a essa conclusão, caro leitor, foram necessários muitos momentos de reflexão. Arraiá do Koroné é um grupo que sobrevive da pureza que coloca nos tablados. A sensação que posso compartilhar é de que o troféu é um mero enfeite: eles brigam para conquistar um lugar no coração de um público que aos poucos se torna mais exigente.

Ano passado, a junina Koroné decidiu investir na emoção. Tivemos uma apresentação inesquecível: uma mescla de cores, luzes, sons, e outras sensações que ao indivíduo comum seria necessário um sexto ou sétimo sentido para conseguir identificar. A proposta da Koroné que teve até ares metafísicos, consistia em colocar algo além daquilo que estávamos acostumados a ver nos arraiás. E não era preciso ter o olhar atento de K. Fera para absorver tamanhos efeitos! Nessa hora, a sinceridade de seus artesãos foi a condição para que o público rastreasse tantas possibilidades artísticas. O brilho no olhar do marcador diante da apresentação que beirou à catástrofe já dizia tudo: eles queriam uma garbosa apresentação e lutaram para alcançar.

Difícil prever as propostas que Arraiá trará esse ano. Enquanto as concorrentes procuram arranjos preciosos, como numa caça ao tesouro sem direito a mapas, a junina Koroné me parece mais capaz de fazer o caminho inverso: catar um carvão e enriquecê-lo até tornar-se diamante. O grupo não precisa temer do que vai falar. E sim, trabalha na certeza de transmitir um legado de significações com aquilo que vai expor ao público. Não teve medo de tematizar a morte e o além com cores e luzes. E conseguiu assim uma das mais interessantes inovações do ano de 2014.

Inovação é o que esperamos desse grupo junino nascido em Balsas. Assim como as demais, Arraiá do Koroné também passa por momentos sérios, em que a falta de recursos concorre para frear a inventividade do grupo. Creio eu que esses apaixonados jovens lidam com os freios de uma maneira muito criativa: com muito esforço e convicção. Esses jovens sim, caro Pedro Bial, são os nossos verdadeiros heróis.

Com os bons votos de

Carlos K. Fera

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