quinta-feira, 2 de abril de 2015

Arrasta-pé: o quê esperar em 2015?

Imagem: Facebook Arrasta-pé

Arrasta-pé, a quadrilha mais tradicional do universo junino/julino de Açailândia, mostrou em 2014 que estava finalmente disposta em fazer a transição do estilo junino tradicional para o caráter inovador. Investindo em novos figurinos, arranjos musicais, passos e uma estrutura próxima a das devoradoras pernambucanas, o espetáculo, que agradou boa parte do público, teve uma característica bastante singular: Arrasta-pé ficou com um pé sobre o terreno movediço do tradicionalismo e o outro em cima da terra firme da inovação. Esse desenho bastante ímpar no tablado possibilitou que a Junina agradasse tanto aqueles seus fãs tradicionais e também jurados e a crítica, que puderam enxergar novas formas de expressão daquele inventivo grupo.

Ano passado, vimos uma explosão de cores. A Junina optou pelo colorido de seus figurinos somado à energia excepcional de seus brincantes. É incrível notar como apesar do tempo e das turbulências que a quadrilha sofreu nos últimos anos, uma característica se mantém e torna a Arrasta-pé um grupo único. Meus caros leitores, estou falando dessa energia contagiante que mantém aceso o brilho desta junina. Creio que se colocassem os brincantes sem figurinos, sem músicas e mesmo, sem marcador, ainda seria empolgante ouvir a força dos pulmões dessas alegres criaturas. Bastava apenas uma plateia e o espetáculo estava pronto.

Este ano aguardamos um espetáculo sensível e mais inteligente que o ano passado. Como já disse em postagens anteriores, e reitero agora, Arrasta-pé, como a pioneira no que diz respeito a grandes públicos, deve se permitir mais, ir mais além do limite que eles próprios tracejaram. As boas ideias não devem ser tolhidas; ao contrário, devem ser bem recebidas. O grupo tem em sua composição uma galera realmente apaixonada pelo fazer junino e essa força é uma arma que nas mãos de bons artistas pode tornar o grupo um dos mais brilhantes de todo o Maranhão.

Arrasta-pé traz em sua genética a concepção de que a quadrilha deve ter um elo direto com sua plateia. Nada de espetáculos que sejam apenas para exibir ao público, e sim optam por uma arte que possa ser compartilhada, convidando o público a se juntar a eles durante e após a apresentação. Esse gene tem de se manter ativo no ano de 2015, possibilitando a esses artistas que realmente ninguém “peite” neles. E para tornar-se ainda mais competitiva, o grupo deve pensar em como se redesenhar num ano em que suas principais rivais prometem investir em emoções novas, que nunca foram exploradas por ninguém.

Este blogueiro no ano passado destinou algumas críticas à apresentação desse grupo, porém apesar de manter minha posição, espero este ano ser surpreendido. É fundamental que a Arrasta-pé se reinvente em 2015 e traga a nós, público, essa energia extrema, que ao contrário da energia de nossas casas, é gratuita e empolgante. Temos um grupo que basta uma faísca para que se promova um incêndio do gingado à criatividade. A mais antiga de Açailândia deve compartilhar com seu público aquilo que a tornou forte nos primeiros anos de existência. Acredito na força de uma quadrilha que demonstrou eficácia suficiente para um desafio difícil: renascer. Como são capazes de renascer, são capazes de tudo!

Com os cumprimentos de
Carlos K. Fera

Um comentário:

  1. Junina arrasta pé sao muitos bons, mais junina korone vai levar o titulo da mira esse ano...

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