quarta-feira, 1 de abril de 2015

Matutos do Rei: o quê esperar em 2015?

Imagem: Facebook Matutos do Rei


Aos leitores que tanto me interrogaram nas redes sociais a ausência das minhas postagens, devo dar-lhes uma explicação plausível para meu sumiço. Oras, de nada adianta este blogueiro disponibilizar seu tempo para os escritos sem realizar observações precisas. Afinal, escrever é uma tarefa relativamente fácil, porém para que os textos ecoem na mente dos leitores é preciso conteúdo aliado à minúcia e credibilidade. Se assim não fosse, não teria dado a luz ao precioso K. Fera.

Falando em preciosidades, não há como não destacar a ansiedade do público admirador açailandense em ver a apresentação da Matutos do Rei este ano. Depois de uma apresentação elegante no ano de 2014, a Junina que trouxe sereias e pescadores aos arraiais do interior do Maranhão, terá uma missão difícil, que eles mesmos construíram: mostrar uma arte superior à do Mar da Ilusão. É interessante observar que o oponente maior dessa Junina é ela mesma, que construiu um espetáculo sensível, verdadeiro divisor de águas em Açailândia (sem trocadilhos!) e que teve participação memorável em Pernambuco. Xico Cruz, Tharles Ponciano e companhia terão de se digladiar contra eles mesmos, os inspirados jovens que trouxeram suavidade na temática de 2014.

Ouso dizer que eles tentarão algo deliciosamente novo, capaz de novamente revolucionar a linguagem das juninas e aproximar o público da arte. Este ano, em um país afundado numa crise econômica sem precedentes, tal desafio se torna ainda mais desleal. Sabemos que para colocar o mar da ilusão no meio do Nordeste foi necessário investir em qualidade em todos os níveis, desde a elaboração dos belíssimos figurinos, até a infraestrutura para levar quase uma centena de pessoas até os arraiais mais longínquos do Maranhão. Trata-se agora de uma tarefa ainda mais hercúlea, alcançar o mesmo nível da apresentação do ano anterior, tendo recursos ainda mais limitados. Haja criatividade para driblar tal problema!

Embora vislumbre o que pode vir por aí, é impossível sequer desenhar o tamanho da inventividade dos artistas da Matutos. Sobretudo agora que sabemos que eles têm de vencer a si mesmos e servir de inspiração para grupos juninos que surjam hoje. Desde o seu nascimento, passando pela época em que se espelhavam exatamente dentro dos limites da quadrilha Raio de Sol e agora, que se aponta como influente e um dos mais importantes instrumentos de cultura do Maranhão, a Matutos do Rei soube como se conduzir nesse terreno movediço. Esse crescimento vertiginoso se deve às facetas multicriativas que esse grupo tem em sua base. Assim, reservo meu lugar no Arraial Municipal deste ano para sentir de perto o calor que esse grupo irradia.

Aguardaremos então mais um encanto da Matutos do Rei no mês de Junho, que olhem, já se aproxima. Uma quadrilha que ainda tem muito a mostrar e que brevemente concorre para ser uma das mais memoráveis do nosso país. A magia deles é tão surpreendente que nem mesmo a morte do grupo junino este ano seria capaz de apagá-los: MR está em seu melhor momento e seu deperecimento apenas nos conduziria a uma madrasta saudade. Que os inventivos matutos consigam agradar aos reis. E que honra tem o açailandense de ser um desses imperadores!

Matutos do rei é diferente!
Com os cumprimentos de
Carlos K. Fera

Nenhum comentário:

Postar um comentário