Imagem: Facebook Matutos do Rei
Aos leitores que tanto me
interrogaram nas redes sociais a ausência das minhas postagens, devo dar-lhes
uma explicação plausível para meu sumiço. Oras, de nada adianta este blogueiro
disponibilizar seu tempo para os escritos sem realizar observações precisas. Afinal,
escrever é uma tarefa relativamente fácil, porém para que os textos ecoem na
mente dos leitores é preciso conteúdo aliado à minúcia e credibilidade. Se assim
não fosse, não teria dado a luz ao precioso K. Fera.
Falando em preciosidades, não há
como não destacar a ansiedade do público admirador açailandense em ver a
apresentação da Matutos do Rei este ano. Depois de uma apresentação elegante no
ano de 2014, a
Junina que trouxe sereias e pescadores aos arraiais do interior do Maranhão, terá
uma missão difícil, que eles mesmos construíram: mostrar uma arte superior à do
Mar da Ilusão. É interessante observar que o oponente maior dessa Junina é ela
mesma, que construiu um espetáculo sensível, verdadeiro divisor de águas em
Açailândia (sem trocadilhos!) e que teve participação memorável em Pernambuco. Xico
Cruz, Tharles Ponciano e companhia terão de se digladiar contra eles mesmos,
os inspirados jovens que trouxeram suavidade na temática de 2014.
Ouso dizer que eles tentarão algo
deliciosamente novo, capaz de novamente revolucionar a linguagem das juninas e
aproximar o público da arte. Este ano, em um país afundado numa crise econômica
sem precedentes, tal desafio se torna ainda mais desleal. Sabemos que para
colocar o mar da ilusão no meio do Nordeste foi necessário investir em
qualidade em todos os níveis, desde a elaboração dos belíssimos figurinos, até
a infraestrutura para levar quase uma centena de pessoas até os arraiais mais
longínquos do Maranhão. Trata-se agora de uma tarefa ainda mais hercúlea,
alcançar o mesmo nível da apresentação do ano anterior, tendo recursos ainda
mais limitados. Haja criatividade para driblar tal problema!
Embora vislumbre o que pode vir
por aí, é impossível sequer desenhar o tamanho da inventividade dos artistas da
Matutos. Sobretudo agora que sabemos que eles têm de vencer a si mesmos e
servir de inspiração para grupos juninos que surjam hoje. Desde o seu
nascimento, passando pela época em que se espelhavam exatamente dentro dos
limites da quadrilha Raio de Sol e agora, que se aponta como influente e um dos
mais importantes instrumentos de cultura do Maranhão, a Matutos do Rei soube
como se conduzir nesse terreno movediço. Esse crescimento vertiginoso se deve às facetas multicriativas que esse grupo tem em sua base. Assim, reservo meu lugar
no Arraial Municipal deste ano para sentir de perto o calor que esse grupo
irradia.
Aguardaremos então mais um
encanto da Matutos do Rei no mês de Junho, que olhem, já se aproxima. Uma
quadrilha que ainda tem muito a mostrar e que brevemente concorre para ser uma
das mais memoráveis do nosso país. A magia deles é tão surpreendente que nem
mesmo a morte do grupo junino este ano seria capaz de apagá-los: MR está em seu
melhor momento e seu deperecimento apenas nos conduziria a uma madrasta
saudade. Que os inventivos matutos consigam agradar aos reis. E que honra tem o
açailandense de ser um desses imperadores!
Matutos do rei é diferente!
Com os cumprimentos de
Carlos K. Fera

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