Imagem: Angra Nascimento/Imirante Imperatriz
Um ano passou
rapidamente. Já estou eu aqui, caros leitores, a falar de uma das gratas
surpresas do Arraial de 2015.
A Arraiá do Koroné, a junina que vem de Balsas, decidiu
apostar num tema de uma simplicidade tamanha que chegou a intrigar a mente
deste blogueiro feliz. Sabia que Junina não ia pretender temas raros e
escassos. Sua aposta seria algo simplório, flertar com o sonho e a fantasia uma
nova vez e garantir algo que só encontramos na radioatividade: enriquecer uma
matéria e transformá-la em energia.
Para quem gosta
de Astronomia, a distância entre a lua e o sol é de mais de cento e quarenta e
nove milhões de quilômetros. E creio que o tema que a Koroné trouxe, versando
sobre esses astros celestes, diz bem do fenômeno que ocorreu com ela entre o
ano passado e o corrente. O grupo de Balsas explodiu, estourou, garantiu uma
apresentação muitíssimo superior ao belo trabalho que colocaram em prática no
ano passado. Inovando em vários aspectos, eu diria que o espetáculo “Do outro
lado da vida” seria a Lua, tão próxima e confortável ao lado da Terra, enquanto
“O sol e a lua” representaria bem a estrela maior, o Sol, que incendeia,
ilumina, dá força e faz raiar o dia.
Vem clarear meu
Arraial, se propunha Rhaoni Silva num dos mais belos e mais empolgantes
momentos de sua carreira. Sabendo aproveitar as críticas que lhe são
favoráveis, o marcador deixou certos tons que ano passado afirmei estar mais
próximo de um narrador de rodeio, e investiu na sua incrível capacidade de
encantar o espectador. Tanto que o marcador pôde colocar-se entre o duelo dos
astros celestes, passeando entre eles com harmonia. E veio com uma arma
poderosa e bastante oportuna para contar o romance entre o sol e a lua: contar
essa história como se estivesse narrando uma história à filha. Tal arrojo
permitiu imprimir um tom lúdico à apresentação e simultaneamente, aproximar-se
do público, transportando o espectador a ouvinte íntimo da história. Em certo
momento, a Koroné não mais esbanjava um espetáculo, e sim promovia-nos ao
diálogo.
Vestir metade
dos pares com a roupagem amarela em referência ao sol e os demais com figurinos
que ilustravam a lua parecia uma proposta previsível. Porém, a Koroné deixava
claro que queria promover o eclipse, o encontro entre o sol e a lua, esses
astros tão bem distantes como mesmo disseram, tão diferentes, mas capazes de se
misturarem para formar uma unidade. Nesse momento, a Koroné atinge seu auge!
Não há nada mais belo que uma história de amor bem contada, e a metáfora que a
balsense semeou no arraial realizando a interseção entre o sol e a lua conduziu
seus brincantes a uma arte refinada. Embora o compromisso fosse a ficção, a
Koroné prendeu seus pés no solo e disse que embora diferentes ou distantes,
todos os seres que se amam devem ficar juntos.
Com uma trilha
sonora mais um tanto rara, algumas mais bem escolhidas que outras, temperadas
com canções compostas pelo grupo. A Arraiá este ano preferiu investir em algo
que nos levou às expressões juninas pernambucanas: a música ao vivo. Foi um
grande acerto e espero que vantagens competitivas como estas sejam repetidas
pelos demais grupos juninos. Faz-nos entender que a Koroné tem um tanto a mais
de arte a oferecer a seu fiel público.
Um alinhamento
primoroso, figurinos exuberantes e uma característica só encontrada nela:
Arraiá é uma quadrilha de nomes e valoriza quem está fazendo aquela engrenagem
se movimentar. Dançarinos tão talentosos que não merecem estar no anonimato. Na
voz de Rhaoni, pessoas tomavam forma e eram veiculados ao público. Àguida
Santos, o noivo e a rainha tiveram seus nomes imortalizados num arraial que,
com certeza, daqui a cem anos ainda terá fôlego para encantar novos amantes da
cultura junina. Se cada pessoa que ali presenciava a força dessa apresentação
representasse um corpo celeste, eu diria com toda a certeza que o universo
gostou de ver esse eclipse junino do sol e da lua.
Com os
parabéns celestiais de,
Carlos K.
Fera.

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