sexta-feira, 10 de julho de 2015

Um ano das noivas

Depois de um 2014 mais que impecável, em que nós, carentes espectadores de cultura, vimos espetáculos mais que grandiosos, chegou 2015. Novas histórias, coreografias mais ousadas, enredos mais fiéis, trilhas sonoras ainda mais gratificantes tomaram conta dos tablados este ano. Resultado: incontáveis convites a nossas juninas para festejar o arraial de outras cidades. Num ano em que tanta arte boa se destacou, a personagem de branco de cada grupo junino brilhou junto e separadamente dos demais. Foi um ano em que nossas noivas, das mais salientes às mais recatadas, brilharam nos tablados e mostraram que suas escolhas não foram resultados do mero acaso. Desde o uso de saltos altos e a novidade, humildes sandálias, elas mostraram que apesar do marrom, azul, ou o colorido, o branco ainda impera majestosamente. K. Fera destaca a importância do véu e da grinalda em 2015.

Valéria Souza – Flor de Mandacaru
Uma das mais belas surpresas de 2015, não tinha o mesmo destaque ano passado. Valéria recebeu das mãos dos inventivos artistas da Queridinha de Açailândia, a tarefa de interpretar a quebradeira de coco que dá origem ao mais forte enredo deste ano. Com o desafio de levar o espectador às lembranças de seus antepassados, a babaçueira não tremeu e mostrou perfeição nos momentos em que tinha de interpretar a doce Raimunda e garra nos momentos que tinha em mãos a guerreira quebradeira de coco. Com um figurino graciosamente mutante, Valéria transitou com exatidão entre os papéis de jovem apaixonada e mulher que luta. Muitas faces encarnaram no corpo de uma única artista! E para aqueles que não têm lembrança da juventude de suas mães e avós quebradeiras de coco, guardaram na memória a linda imagem de Valéria quebrando o coco babaçu com o cacete ao fim dos curtos vinte e cinco minutos da apresentação da Flor.

Gleivane Campos – Caipiras da Serra
Vestir de azul a noiva mais terna do ano que passou  revelou-se um grande acerto da Caipiras da Serra. Num enredo interessante, Caipiras decidiu falar da pedra Turmalina, e assim como esse blogueiro preveu, decidiram personificar essa preciosa pedra nos tablados. Enquanto víamos o noivo garimpeiro conquistar sua fortuna, Gleivane perambulava timidamente no arraial vestida em tons de azul e branco. Como se só o público pudesse percebê-la, a personagem pairava mudamente permitindo-nos entender que a maior riqueza do garimpeiro estava ali o tempo todo e ninguém da trama conseguia apreciá-la, como nós, espectadores, fizemos durante os momentos iniciais da apresentação. Surpresa maior é quando a enxergamos vestida de branco, exibindo um dos mais belos vestidos e penteados da Açailândia Junina. Com graça, sorrisos e muito domínio coreográfico, Gleivane conquista os 67 corações de sua quadrilha, antes cegos, e qualquer multidão que a assista.

Ana Beatriz – Arrasta-pé
O ano, para uma das juninas mais tradicionais da cidade de ferro, mostrou-se promissor. Depois de um enredo levemente superior à arte do ano passado, tiveram a presença de uma noiva espetacular. A quadrilha junina, embora já não lembre a mesma tradicional que brilhava no ano de 2006, ainda guarda uma característica que a faz reviver esses tempos: canções ferozes, que exigem de seus componentes doação total para executar as coreografias. Talvez tal fato justifique ainda o nome dessa quadrilha. Nesse quesito, Ana Beatriz brilhou como a personagem de branco e garantiu o sucesso junto à plateia. Que tal graça possa ser vista no ano que vem na Açailândia Junina.

Joselita Marques – Matutos do Rei

Bem sabemos, caros leitores, que a Imperadora não tem medo de inovar, nem que isso custe críticas à sua arte diferenciada. E nesse ano, após sugerirem quatro noivas no doce arraial do pescador, sabiam que novamente tinham de reinventar a roda. Não foi por acaso, a escolha da jovem Joselita para protagonizar o espetáculo da Receita. Precisavam de uma noiva que fugisse dos padrões; ora saliente, ora debochada, ora sonsa, ora escandalosa, que dançasse e atuasse como nenhuma outra no Arraial. Encontraram todas essas características em Joselita, que vejam só a ironia, é uma noiva que vale por quatro. A artista parece estar se divertindo nos tablados, embora encharcados de teatralidade, os movimentos da noiva que não casou virgem soam tão naturais que culmina na vontade de subir no Arraial e ser mais um noivo para disputá-la.

Ágda Santos – Junina Koroné
A simplicidade do tema da Koroné engalfinhou-se com a exuberância de seus componentes. E o resultado foi excelente! A balsense trouxe uma explosão de cores e criatividade marcada por uma história pueril, mas eternamente bonita. Nesse meio, Ágda Santos brilhava como Luara, a Lua, que mantinha um caso de amor com a estrela mais importante do universo. A noiva, que vivia no embate de encontrar seu amado, já que Sol e Lua alternam sua iluminação sobre a Terra, deu vida a um enredo sobre o amor entre diferentes. E no ápice da apresentação, quando o Sol e a Lua finalmente se encontram, a noiva ganha seu momento mais memorável e torna-se mais que um mero satélite: uma estrela. Ágda manteve-se brilhante nesse enredo gracioso e com uma missão bastante difícil: estar à frente, marcando um alinhamento que este ano, foi primoroso.

Obs.: Todas as imagens que abrilhantam esta postagem foram reproduzidas diretamente do perfil do facebook das referidas.
Obrigado, Igor Camargo e Matheus Alves.

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