Depois de um 2014 mais que impecável,
em que nós, carentes espectadores de cultura, vimos espetáculos mais que
grandiosos, chegou 2015. Novas histórias, coreografias mais ousadas, enredos
mais fiéis, trilhas sonoras ainda mais gratificantes tomaram conta dos
tablados este ano. Resultado: incontáveis convites a nossas juninas para
festejar o arraial de outras cidades. Num ano em que tanta arte boa se
destacou, a personagem de branco de cada grupo junino brilhou junto e
separadamente dos demais. Foi um ano em que nossas noivas, das mais salientes
às mais recatadas, brilharam nos tablados e mostraram que suas escolhas não
foram resultados do mero acaso. Desde o uso de saltos altos e a novidade, humildes
sandálias, elas mostraram que apesar do marrom, azul, ou o colorido, o branco
ainda impera majestosamente. K. Fera destaca a importância do véu e da grinalda
em 2015.
Valéria Souza – Flor de
Mandacaru
Uma das mais belas surpresas de
2015, não tinha o mesmo destaque ano passado. Valéria recebeu das mãos dos
inventivos artistas da Queridinha de Açailândia, a tarefa de interpretar a
quebradeira de coco que dá origem ao mais forte enredo deste ano. Com o desafio de levar o espectador às lembranças de seus antepassados, a babaçueira
não tremeu e mostrou perfeição nos momentos em que tinha de interpretar a doce
Raimunda e garra nos momentos que tinha em mãos a guerreira quebradeira de
coco. Com um figurino graciosamente mutante, Valéria transitou com exatidão
entre os papéis de jovem apaixonada e mulher que luta. Muitas faces encarnaram
no corpo de uma única artista! E para aqueles que não têm lembrança da
juventude de suas mães e avós quebradeiras de coco, guardaram na memória a
linda imagem de Valéria quebrando o coco babaçu com o cacete ao fim dos curtos
vinte e cinco minutos da apresentação da Flor.
Gleivane Campos – Caipiras da
Serra
Vestir de azul a noiva mais terna
do ano que passou revelou-se um grande
acerto da Caipiras da Serra. Num enredo interessante, Caipiras decidiu falar da
pedra Turmalina, e assim como esse blogueiro preveu, decidiram personificar essa
preciosa pedra nos tablados. Enquanto víamos o noivo garimpeiro conquistar sua fortuna,
Gleivane perambulava timidamente no arraial vestida em tons de azul e branco.
Como se só o público pudesse percebê-la, a personagem pairava mudamente
permitindo-nos entender que a maior riqueza do garimpeiro estava ali o tempo
todo e ninguém da trama conseguia apreciá-la, como nós, espectadores, fizemos
durante os momentos iniciais da apresentação. Surpresa maior é quando a
enxergamos vestida de branco, exibindo um dos mais belos vestidos e penteados
da Açailândia Junina. Com graça, sorrisos e muito domínio coreográfico,
Gleivane conquista os 67 corações de sua quadrilha, antes cegos, e qualquer
multidão que a assista.
Ana Beatriz – Arrasta-pé
O ano, para uma das juninas mais
tradicionais da cidade de ferro, mostrou-se promissor. Depois de um enredo
levemente superior à arte do ano passado, tiveram a presença de uma noiva espetacular.
A quadrilha junina, embora já não lembre a mesma tradicional que brilhava no
ano de 2006, ainda guarda uma característica que a faz reviver esses tempos:
canções ferozes, que exigem de seus componentes doação total para executar as
coreografias. Talvez tal fato justifique ainda o nome dessa quadrilha. Nesse
quesito, Ana Beatriz brilhou como a personagem de branco e garantiu o sucesso
junto à plateia. Que tal graça possa ser vista no ano que vem na Açailândia
Junina.
Joselita Marques – Matutos do
Rei
Bem sabemos, caros leitores, que
a Imperadora não tem medo de inovar, nem que isso custe críticas à sua arte
diferenciada. E nesse ano, após sugerirem quatro noivas no doce arraial do
pescador, sabiam que novamente tinham de reinventar a roda. Não foi por acaso,
a escolha da jovem Joselita para protagonizar o espetáculo da Receita.
Precisavam de uma noiva que fugisse dos padrões; ora saliente, ora debochada,
ora sonsa, ora escandalosa, que dançasse e atuasse como nenhuma outra no
Arraial. Encontraram todas essas características em Joselita, que vejam só a
ironia, é uma noiva que vale por quatro. A artista parece estar se divertindo nos tablados, embora encharcados de teatralidade, os movimentos da noiva que
não casou virgem soam tão naturais que culmina na vontade de subir no Arraial
e ser mais um noivo para disputá-la.
Ágda Santos – Junina Koroné
A simplicidade do tema da Koroné engalfinhou-se com a exuberância de seus componentes. E o resultado foi excelente! A balsense trouxe uma explosão de cores e criatividade marcada por uma história pueril, mas eternamente bonita. Nesse meio, Ágda Santos brilhava como Luara, a Lua, que mantinha um caso de amor com a estrela mais importante do universo. A noiva, que vivia no embate de encontrar seu amado, já que Sol e Lua alternam sua iluminação sobre a Terra, deu vida a um enredo sobre o amor entre diferentes. E no ápice da apresentação, quando o Sol e a Lua finalmente se encontram, a noiva ganha seu momento mais memorável e torna-se mais que um mero satélite: uma estrela. Ágda manteve-se brilhante nesse enredo gracioso e com uma missão bastante difícil: estar à frente, marcando um alinhamento que este ano, foi primoroso.Obs.: Todas as imagens que abrilhantam esta postagem foram reproduzidas diretamente do perfil do facebook das referidas.
Obrigado, Igor Camargo e Matheus Alves.



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